Você já se perguntou por que algumas pessoas se sentem seguras para amar, enquanto outras vivem com medo de serem abandonadas, evitam intimidade ou alternam entre desejar proximidade e afastar quem amam?
A resposta pode estar no seu estilo de apego.
A forma como nos relacionamos na vida adulta não começa quando encontramos um parceiro. Ela começa muito antes, nas primeiras relações com nossos cuidadores. São essas experiências que moldam a maneira como percebemos o amor, a confiança e a segurança emocional.
A boa notícia é que o apego não é um destino. Ele pode ser compreendido e transformado ao longo da vida, especialmente por meio de relações seguras e do processo terapêutico.
A Teoria do Apego, desenvolvida pelo psiquiatra John Bowlby e ampliada pelas pesquisas de Mary Ainsworth, explica que todo ser humano nasce com a necessidade biológica de criar vínculos de proteção.
Quando a criança encontra cuidadores sensíveis e previsíveis, aprende que o mundo é relativamente seguro e que suas necessidades emocionais podem ser acolhidas.
Quando isso não acontece de forma consistente, ela desenvolve estratégias para lidar com a insegurança. Essas estratégias podem continuar presentes nos relacionamentos amorosos da vida adulta.
Na Terapia do Esquema, entendemos que essas experiências também favorecem o desenvolvimento de Esquemas Iniciais Desadaptativos, como abandono, privação emocional, desconfiança e abuso, influenciando profundamente a forma como amamos.
Pessoas com apego seguro conseguem construir intimidade sem perder sua autonomia.
Elas acreditam que são dignas de amor e que podem confiar no outro. Sabem conversar sobre conflitos, pedir ajuda quando necessário e respeitar os limites da relação.
Isso não significa ausência de medo ou de dificuldades, mas a capacidade de enfrentá-los sem transformar o relacionamento em uma constante ameaça.
Características comuns:
comunicam sentimentos com clareza;
toleram conflitos sem imaginar o fim da relação;
confiam gradualmente no parceiro;
respeitam limites e individualidade;
conseguem oferecer e receber apoio emocional.
Quem possui apego ansioso costuma viver o relacionamento em estado de alerta.
Existe um medo intenso de ser abandonado, substituído ou deixar de ser importante para o parceiro.
Pequenas mudanças de comportamento podem ser interpretadas como sinais de rejeição.
É comum buscar garantias constantes de amor, sentir necessidade de proximidade excessiva e experimentar grande sofrimento diante de qualquer afastamento.
Na Terapia do Esquema, esse padrão frequentemente está associado aos esquemas de Abandono, Privação Emocional e Busca de Aprovação.
Frases frequentes:
“Será que ele ainda me ama?”
“Por que demorou para responder?”
“Tenho medo de ser deixado.”
Pessoas com apego evitativo aprenderam que depender emocionalmente dos outros pode ser perigoso ou decepcionante.
Por isso, valorizam muito a independência e costumam evitar demonstrações profundas de vulnerabilidade.
Quando o relacionamento exige maior intimidade, podem se afastar emocionalmente, minimizar sentimentos ou focar excessivamente em trabalho, atividades ou distrações.
Na Terapia do Esquema, esse funcionamento costuma estar relacionado aos esquemas de Privação Emocional, Desconfiança e Abuso e ao modo Protetor Desligado, utilizado como forma de evitar sofrimento.
Frases frequentes:
“Não gosto de depender de ninguém.”
“Preciso do meu espaço.”
“Falar sobre sentimentos não resolve.”
O apego desorganizado reúne o desejo intenso de proximidade e, ao mesmo tempo, o medo da intimidade.
A pessoa quer amar, mas teme profundamente ser machucada.
Isso pode gerar comportamentos contraditórios: aproxima-se quando sente solidão e afasta-se quando a relação se torna mais íntima.
Esse padrão costuma estar associado a histórias de trauma, negligência, violência ou relações familiares marcadas por imprevisibilidade.
Na Terapia do Esquema, frequentemente observamos a ativação simultânea da Criança Vulnerável, que deseja acolhimento, e de modos protetores que afastam o outro para evitar novas dores.
Sim.
Muitas vezes não buscamos apenas aquilo que nos faz bem.
Também somos atraídos pelo que é emocionalmente familiar.
É por isso que algumas pessoas repetem relacionamentos semelhantes, mesmo quando terminam machucadas.
Não porque desejem sofrer, mas porque o cérebro tende a reconhecer como conhecido aquilo que viveu durante os primeiros vínculos afetivos.
A familiaridade pode ser confundida com amor.
Sim.
O cérebro permanece capaz de aprender novas formas de se relacionar ao longo da vida.
Na Terapia do Esquema, esse processo acontece por meio do fortalecimento do Adulto Saudável, que aprende a identificar os esquemas ativados, acolher a própria vulnerabilidade e responder às situações de forma mais equilibrada.
Além da psicoterapia, relações consistentes, respeitosas e emocionalmente seguras também favorecem a construção de um apego mais seguro.
Mudar não significa deixar de sentir medo.
Significa não permitir que esse medo conduza todas as suas escolhas.
Quando você sente medo em um relacionamento, está respondendo ao que acontece no presente ou a experiências que marcaram sua história?
Responder a essa pergunta pode ser o primeiro passo para compreender seus padrões afetivos e construir relações mais conscientes.
O amor saudável não exige perfeição. Ele convida duas pessoas a crescerem juntas, reconhecendo suas vulnerabilidades, respeitando seus limites e cultivando segurança emocional.
Afinal, compreender seu estilo de apego não serve para colocá-lo em uma caixa, mas para ampliar sua liberdade de fazer escolhas diferentes das que a sua história, um dia, precisou fazer para sobreviver.
Se identificou com o texto? Você não precisa passar por isso sozinho (a)
Um Abraço,
Cristiane
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