O amor dói porque toca diretamente o lugar da falta, da dependência emocional e do desejo, que nunca se satisfaz plenamente. Freud (1914/2010) afirma que amar é investir libido no outro, o que nos torna vulneráveis à perda, à frustração e ao abandono.
Lacan aprofunda essa ideia ao dizer que “amar é dar o que não se tem a alguém que não é”, indicando que o amor que buscamos no outro é aquilo que nos falta, mas o outro jamais pode completá-lo.
Uma das perspectivas interessantes é da Melanie Klein, na perspectiva psicanalítica, o amor dói não por ser patológico, mas porque revela a condição humana marcada pela incompletude, pela dependência do outro e pela impossibilidade de satisfação total do desejo, e elaborar tudo isso dentro nós … é doloroso.
Partindo então, deste lugar de dor de amor, deparamos com a pergunta: como ter então relacionamentos saudáveis? Como sentir menos dor por amar?
Freud aponta que relações mais saudáveis tornam-se possíveis quando o sujeito consegue cuidar e elaborar suas dores, feridas e história de vida, para então cuidar de si. Para não buscar o imaginário _ ‘’amor ideal’’ ( aquele que acaba com os meus sofrimentos) e passa a ser o amor real! Passo a enxergar a pessoa que está ao meu lado sem exigir que este parceiro o complete, sustentando o desejo sem aprisioná-lo. Assim, relacionamentos saudáveis, sob a ótica psicanalítica, não são aqueles isentos de conflito, mas os que permitem a circulação da palavra, o reconhecimento da alteridade e a responsabilização subjetiva pelo próprio desejo, transformando a dor do amor em possibilidade de crescimento psíquico.
Sentir menos dor por alguém não é apagar o vínculo e nem diminuir sentimentos.
Quando você se torna o próprio eixo, o amor deixa de ser ferida aberta e passa a ser encontro possível.
Por isso, o processo terapêutico ajuda a cuidar de você, abrindo espaço para novos recomeços e fortalecendo o cuidado com aqueles que amamos ter por perto.
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