Já percebeu que muitas vezes a ansiedade não aparece quando algo ruim acontece, mas ela acaba aparecendo antes? Antes de saber o que é, antes de entender o que está em jogo, antes mesmo de ter certeza de que existe de fato um perigo.
Porque ela não é um problema em si, ela é uma sombra. E é uma sombra que assusta. E ela assusta por quê? Porque a gente não vê direito. Assusta porque parece grande demais, o desconhecido ganha proporções exageradas na nossa cabeça.
Então, na prática, o que nos deixa ansiosos não é o problema em si, é o vazio de respostas. Esse espaço onde a mente tenta completar aquilo que não está claro.
Só que aí acontece uma coisa bastante curiosa: quanto menos a gente olha, maior a sombra fica. Mas quando a gente se aproxima, quando tenta entender, quando lança um pouco de luz, não é que o problema some — não é bem isso. Mas o que acontece é que ele encolhe. A sombra perde força, o medo deixa de ser tão difuso, aquilo que parecia enorme começa a ter contorno.
Então talvez seja isso que a ansiedade, de alguma forma, está tentando dizer pra gente. Ela não aparece para te paralisar. Ela aparece como um sinal, um aviso de que algo ali ainda não foi olhado. Não algo que precisa ser evitado, mas algo que precisa ser encarado com mais presença.
Porque nem tudo na vida vai ter resposta pronta, nem tudo vai ser totalmente previsível — e tudo bem. O problema não é esse limite existir, o problema é tentar viver como se ele não existisse.
Então, quando você entende isso, a ansiedade não desaparece, mas ela muda de lugar. Ela deixa de ser um inimigo e passa a ser uma espécie de convite: olhar melhor, com mais cuidado, para aquilo que hoje só parece uma sombra.
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