As tecnologias são ferramentas indispensáveis nos dias atuais. Sua utilidade se estende tanto para o trabalho, quanto para informações, para matar curiosidades, para se relacionar, transmitir conhecimentos, etc.
Sua criação realmente mudou a forma de funcionamento da sociedade, sendo responsável também por várias alterações em nosso próprio funcionamento a nível biológico.
Nesta postagem, darei ênfase aos processos neuropsicológicos relacionados ao uso das tecnologias mas caso tenham interesse no aprofundamento de questões sociais, deixem nos comentários que eu farei com prazer uma postagem sobre.
O circuito dopaminérgico é composto por várias estruturas cerebrais que desempenham papéis centrais na regulação da recompensa (Robbins & Everitt, 2007).
A interação contínua com as redes sociais pode levar a alterações nesse circuito, resultando em padrões comportamentais compulsivos e potencialmente prejudiciais à saúde mental.
Pesquisas recentes sugerem que esses padrões estão associados ao aumento da ansiedade, depressão e outros transtornos psicológicos (Twenge e Campbell).
Basicamente, a dopamina tem uma função moduladora, permitindo influenciar o comportamento e remodelar o cérebro. Ela é liberada em antecipação a uma recompensa, não somente durante a recompensa em si.
A exposição prolongada a estes picos pode levar ao que chamamos de regulação negativa do sistema dopaminérgico, fazendo com que indivíduos procurem estímulos mais intensos para alcançar o mesmo efeito anterior.
Os algorítimos são projetados para maximizar o tempo que os usuários passam em uma plataforma, servindo-lhes conteúdo que é personalizado e altamente relevante para seus interesses. Essa personalização pode resultar em um ciclo vicioso de busca por gratificação efêmera, exacerbando a dependência digital.
Essa conexão contínua pode resultar em uma sobrecarga sensorial e cognitiva, diminuindo a capacidade do cérebro para se recuperar efetivamente.
Manfred Spitzer em seu livro “Cretinos digitais” afirma que a dicção das telas está resultando em um declínio cognitivo na geração atual em relação às anteriores. Spitzer discute alguns pontos para embasar sua tese, entre eles o declínio da capacidade de concentração. No mundo digital, o bombardeio de estímulos em curto espaço de tempo condiciona o cérebro do indivíduo a se concentrar em atividades de curto tempo de concentração, e quando lhe é exigido dedicar mais tempo em atividades simples cotidianas como a leitura de um livro por exemplo, este não consegue se concentrar.
O autor também considera como indicador para tal afirmação a redução da memória, dificuldades de aprendizagem, problemas no sono, aumento nos índices de ansiedade e depressão, que também pode afetar a função cognitiva, pois, menos esforço é exigido para memorizar informações. As habilidades de leitura, escrita e cálculo também são prejudicadas. A exposição à luz azul das telas interfere na produção de melatonina, afetando o sono e, consequentemente o funcionamento cognitivo e a saúde mental.
Portanto, é necessário nos adaptarmos ao mundo da tecnologia com prudência. Não podemos desconsiderar sua utilidade mas é indispensável o equilíbrio, o monitoramento do tempo que disponibilizamos e como utilizamos as tecnologias.
Espero que tenham gostado e sintam-se à vontade para sugestões de postagens, até mais.
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.